Antes da Social Media vem a Internet Social

Os dados do Nielsen/NetRating sempre nos mostram coisas interessantes sobre o comportamento dos brasileiros na internet. Somos um dos povos cujo uso da rede mais cresce no mundo; hoje passamos quase uma semana de trabalho conectados - 37 horas, cerca de 3 horas a mais do que a média mundial (dados de março 2008). 

Apesar de todas essas informações, o que mais me chamou a atenção no último relatório que li (de março deste ano – infos ao final do texto), foi a diferença entre “conectados” e a “estimativa de universo de pessoas conectadas”. Há mais de 22 milhões de brasileiros ligados à internet, mas o universo potencial de pessoas conectadas é de 34 milhões, ou seja, uma diferença de 56%. Essa diferença entre os “universos”, no mundo, é de 48%. Isso mostra com certeza que o nosso uso da internet é um dos mais “comunitários” do mundo.

Deve existir uma série de motivos para isso, mas na minha opinião a melhor explicação para essa universalização da internet - que segue o caminho dos celulares -, está na acessibilidade somada à “quebra de barreiras sociais”. Quanto à acessibilidade, temos cada vez mais computadores baratos, lan houses, escolas e faculdades dispondo de mais e mais máquinas. Quanto à quebra de barreiras, o que ocorre é que na internet “todos somos iguais”, as riquezas aparentes são eminentemente sociais e não econômicas (número de amigos no Orkut, tamanho do network no LinkeIn, maior álbum no Flickr, etc.). Esses fatores podem explicar tanto o fenômeno do acesso à internet, quanto explicam também porque a “Social Media” tem se desenvolvido tanto por aqui, pois uma vez que as barreiras sociais que separam um contingente enorme de brasileiros das coisas de “1o mundo” (vício de colônia), não existem na rede, o que permite às pessoas viverem novas experiências, se relacionando com produtos e pessoas que talvez no mundo dos “bricks” jamais conseguissem.

  

Sessions/Visits Per Person 31
Domains Visited Per Person 57
PC Time Per Person 37:38:36
 
Duration of a Web Page Viewed 00:00:43
Active Digital Media Universe 22,741,785
Current Digital Media Universe Estimate 34,053,102

 

 

Não consegue sozinho? Surfe com os outros!

No marketing, assim como na guerra, vale a melhor estratégia. Às vezes, por melhor que seja o exército, o inimigo descobre uma brecha, e isso basta para começar a minar as “linhas de defesa”. Isso poderia (atenção ao tempo verbal) estar acontecendo com um de nossos clientes, a Datasul, que tem tido grande exposição na web com base em uma série de ações coordenadas que estamos desenvolvendo. 

Vendo isso, seu principal concorrente - a TOTVs/Microsiga -, fez um Adwords (links patrocinados), utilizando a palavra “Datasul“; e deve estar investindo bem, pois o “site oficial” da Microsiga aparece em todas as pesquisas que tenham “Datasul” na expressão. Bom, infelizmente para eles, nesse caso não ficamos ”desguarnecidos”, pois monitoramos o ambiente web constantemente, além disso, o que mais conta na web é a busca “orgânica” (ou natural), no qual a Datasul está infinitamente melhor posicionada que a Microsiga (veja o Google Trends e compare as empresas).

Enfim, pela tática - aparentemente inteligente -, fica evidente o contrário: que a Microsiga tem uma péssima exposição na web e está, espertamente, “surfando” no potencial de busca gerado pelo seu principal concorrente. Jeitinho brasileiro? Lei de Gerson? Tanto faz, quando um concorrente começa a seguir outro dessa forma, a única certeza que tenho é que estamos realmente fazendo a coisa certa.

 

Google - Deus ou Zeus?

A discussão sobre pedofilia na web ganhou vulto novamente este mês com as denúncias de comunidades criminosas na Orkut.

Em toda essa história - terrível, pois representa um crime hediondo -, há alguns fatos curiosos sobre a posição de Google, e é nisso que quero me focar.

O “buscador-portal-comunidade-streaming” que tem como objetivo ser “deus” na web - pois tem como missão “armazenar e organizar todo o conhecimento da humanidade” -, assumiu seu lado mais ”humano” ao admitir que tem problemas para controlar a proliferação dessas redes criminosas, vindo a público no dia 14.04 com uma série de medidas para que sua fiscalização sobre o conteúdo seja mais eficaz.

Apesar disso, as autoridades brasileiras reclamam que têm muita dificuldade em obterem informações que possam guiá-los até os criminosos, pois - segundo eles -, o Google simplesmente “apaga” as comunidades e perfis que julga prejudiciais, ou simplesmente não colabora com dados.

Ora, o Google assume sua incapacidade, mas ao mesmo tempo age acima das leis de um país soberano, simplesmente aplicando aquilo que julga ser certo. Isso me fez ver que no fundo o Google não é deus, é na verdade Zeus - pai dos deuses gregos e dos homens. Por quê? Quem conhece um pouco de mitologia grega sabe que os deuses gregos (e romanos) tinham exarcebadas características humanas, defeitos de caráter e personalidades extremamente geniosas; ao mesmo tempo, desprezavam tudo o que era humano, julgando-nos não mais do que meros serviçais para suas necessidades. Exatamente o que o Google vem fazendo…

Pior ainda, essa postura plantou em mim - mero mortal temeroso - a dúvida sobre a imparcialidade desse “deus” da web. Curiosamente, tanto no Google.com quanto no Google Blog Search os resultados para a busca combinada de “Google+pedofilia” são incrivelmente positivos (clique nos links a seguir e confira). A primeira matéria - na busca regular - é de 14 de abril de 2008, a segunda é de 27 de abril de 2006 (e igualmente positiva)… Incrível não?! O assunto saiu até na TV e produziu só uma referência este ano! No Blog Search, idem: ”Google faz e desfaz contra a pedofilia” (sendo “justo”, o primeiro post indicado - replicação de uma matéria da Info Online -, tem como frase final “O Ministério Público acusa o Google de só colaborar com as autoridades quando pressionado.”, acho que eles não viram).  Porém, digitando  nesse mesmo “blog search” a busca por “autoridades+pedofilia”, achamos uma matéria um pouco diferente no G1 (Globo) do dia 09.04.08 falando sobre as dificuldades dos promotores obterem informações da empresa e etc. Estranho… Essa matéria contém material suficiente - e relevância de fonte -, para ser indicada na busca por “Google+pedofilia”, mas curiosamente não está lá.

Enfim, vivemos um momento de mudanças na comunicação, nos negócios, na forma como nos relacionamos, mas não podemos ficar desatentos às reservas de mercado, não podemos aceitar o controle velado à informação, não podemos aceitar - e nos encantar - com o monopólio de uma empresa “Zeus”, cujas grandes qualidades são contrapostas por defeitos gravíssimos. O Google é, sem dúvida, um notável player da web, mas não está acima do bem e do mal. Eu, particularmente, torço para que logo cheguem mais concorrentes de peso, pois isso trará ainda mais transparência e respeito conosco, “meros mortais”.

 

 

Importante: pesquisa feita em 17.04 às 23h00 (o Google é dinâmico…)

Ação Social em “Social Landing Points 2″

Como havia prometido, vou avançar mais no assunto “responsabilidade social” na web, especialmente com uso de Social Media (nada mais adequado). 

Eu consegui encontrar uma lista com “12 dicas” sobre como uma instituição do terceiro setor pode utilizar social media. Sei que listas são a moda na web, mas essa vale a pena. O material é da Ph.D especialista em terceiro setor Joanne Fritz e foi divulgado no site

About.com

A seguir eu trago uma síntese (não exatamente uma tradução) da essência do conteúdo dessa “lista”, acrescentando muito da minha visão e experiência:

1. Escolha os “social networks” certos.

Não escolha sites baseados apenas no tamanho da rede de relacionamento. Outras comunidades mais direcionadas para aplicação de práticas e necessidades ligadas ao objetivo da ação social podem ser mais efetivas, ainda que bem menores. O ideal e começar ”pequeno”, tendo no máximo 3 redes sociais, e evitar atuar com alguma grande rede esperando um ”boom” rápido.

2. Encontre um “expert” para apoiar.

Procure na organização, ou na comunidade, alguém com experiência em social networking. Você deve considerar desde os jovens que compõem o staff até um voluntário. O principal é entender da causa a fundo.

3. Amplie o seu alcançe.

Selecione um “social network” e use-se das ferramentas internas de divulgação; não preencha apenas o perfil esperando que as pessoas venham a encontrar a entidade; crie um grupo, discuta idéias e busque atrair mais apoiadores “conectados”. 

4. Prepare-se para “perder o controle”.

Não há a mínima possibilidade que todos venham a ser “amigos” da causa. Prepare-se para críticas diversas (sobre o modelo de atuação, ética dos membros, funding, etc.). Se a sua instituição e seus advogados não estão preparados para isso, esqueça Social Media.

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Ação Social em “Social Landing Points”

No post anterior, eu explorei a responsabilidade social e a utilização do marketing social; agora, como é a proposta deste blog, vou começar a explorar o marketing social dentro desse novo ambiente da web 2.0.

O primeiro passo nesse sentido é entender como as comunidades se estruturam na rede, uma vez que a adesão e o funcionamento como “comunidades” é parte essencial de uma ação social. Para esclarecer isso, segue uma apresentação interessante da Forrester Research.

Marketing Social e a Construção de Marcas

 

Há cerca de um ano, escrevi o artigo abaixo falando sobre a importância do marketing social (e seus aspectos cuciais), para a construção de marca. Estou resgatando este artigo aqui, pois passei a atender a ONG Ação Comunitária  e isso me fez voltar a estudar o assunto, especialmente sob o ângulo de aplicação da web. Nesse sentido, este artigo serve de introdução para o próximo post que estou escrevendo, sendo importante para alinhar alguns conceitos. Ele está longo, mas é uma boa leitura.

As marcas influenciam pessoas de todas as idades, sexos, gostos, raças e credos, pois são como “depósitos” de valores que nós, consumidores, nutrimos por uma determinada empresa, produto, serviço, crença, ideologia e até mesmo outras pessoas.

Nesse ambiente extremamente concorrido, com inúmeras marcas “brigando” por um espaço na cabeça de seus consumidores, ganhou destaque nos últimos anos o termo “branding” - ou construção de marcas - no qual uma das principais estratégias é o “Marketing Social”: a utilização das ações sociais com o objetivo de sensibilizar públicos e construir marcas, especialmente institucionais, mas também de produtos e serviços.

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Blog de CEO serve para quê?

Nos dias de hoje, um CEO que se preza deve ter um canal com os pontenciais públicos de sua empresa. Isso porque, primeiro, os canais existem, são abundantes e fáceis de usar (como um blog); segundo, o mercado espera ouvir a voz do líder de suas empresas favoritas, indicando qual o caminho que suas empresas irão tomar (pois entre a visão desses líderes e sua realização plena pela empresa há um “delay” natural).

Um trabalho que tenho participado ativamente foi citado este final de semana pela revista B2B. Trate-se de um Blog do CEO da Datasul, Jorge Steffens, que visa exatamente compartilhar suas idéias com o mercado, no melhor estilo “web 2.0″, colocando francamente seu ponto de vista e deixando aberta a porta para comentários. Vale a pena conhecer. www.jukebox.blog.com

Social Media - Marketing + Informação

 

É possível fazer marketing com conteúdo de valor? Em tempos de web 2.0, com certeza. Nesse sentido, alguns dos projetos mais incríveis para mim são os Social Media News Rooms, verdadeiras “salas de notícias 2.0″, nas quais a empresa pode divulgar conteúdo de valor para seus públicos, participando efetivamente das discussões de seus mercados.

Um projeto que tenho acompanhado de perto envolve o desenvolvimento de um Social Media News Room para o setor de tecnologia em turismo. Esse projeto surgiu da identificação da qualidade do conteúdo on-line para esse setor. A equipe RMA Social Media identificou que os principais canais sociais e web do setor de tecnologia em turismo tinham, em sua maioria, conteúdos pobres e desestruturados. Ao contrário, a Amadeus - empresa de tecnologia para o setor de turismo -, produzia inúmeros estudos e pesquisas de grande valor para o setor, só que devido à estrutura mundial adotada para seus websites, ficava extremamente difícil tornar esse conteúdo “visível” para o mercado. O resultado foi desenvolver um canal “informativo/participativo” - o IT Partner Room - que tem potencial de alterar a “cara” do setor de Tecnologia para Turismo para sempre.

Parabéns à Amadeus.

Social Media - uma das principais tendências de mktg

Se o post anterior, sobre trackback, não fez muito sentido para você por desconhecer o fenômeno da Social Media, segue uma apresentação que pode esclarecer mais sobre o assunto. Opine.

O mundo do Trackback

Palavrinha simples, mas de suma importância para o mktg 2.0. O trackback funciona como uma excelente ferramenta para aumentar a visibilidade de um blog, site, etc., mas deve ser usado com cuidado, e de forma legítima.

Trackback é uma forma de se fazer referência a um conteúdo/informação de determinado canal on-line que seja interessante para complementar ou exemplificar o conteúdo do seu canal (blog/site/etc.), sem que você precise copiar trechos ou textos inteiros.  Funciona assim: você está navegando na internet e acha um  post interessante em um blog e pensa em citá-lo em um post no seu blog/website. Ao invés de você copiar um trecho do texto, você pode copiar a URL do post (cada título de um post gera uma URL específica) e criar um link em determinada parte do texto relacionada ao conteúdo do post que você queira fazer referência. Pronto, está feito o trackback. Esse processo pode potencializar a visitação porque ao fazer o link para determinado post o dono do canal recebe um “alerta” que você fez o link, com isso, ele pode visitar o seu blog/website e também  fazer  referências com links apontando para o seu conteúdo.

O processo é simples, mas - como falei - deve ser legítimo, pois o tráfego que interessa é aquele gerado por conteúdos de valor, isso na blogosfera é imprescíndivel.