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Hoje pela manhã, eu tomava café em um Supermercado aqui em frente de casa, e reparei que 3 pessoas compraram uma tal de “sacola verde”. O valor era meio salgado, mas a proposta é simples: não usar saquinhos plásticos para a compra e ajudar a salvar nosso pobre planetinha. Percebi que, entre a moda e consciência, aquelas pessoas estavam comprando a moda.

A tal da sacola verde em nada se difere de qualquer outra sacola que possa ser comprada na feira por R$ 3,00, o que interessa é a atitude, mas isso tudo embaladinho de um jeito que agrada o nosso ” alter-ego consumidor compulsivo” é simplesmente irresistível e, de quebra,  ainda subsidia o marketing verde para essa rede de supermercados. É por isso que vivemos hoje, para consumir, somos “homo consumus”.

O fenômeno Obama é similar, o mundo comprou um redentor moderno e o está consumindo vorazmente, fazendo com se torne o presidente mais pop do mundo (Lula deve estar se doendo de inveja!). Apesar disso, o que você realmente espera de Obama? O que os Americanos “médio-cristões” esperam de Obama? Preste atenção nas entrevistas e você verá que eles esperam tudo de bom, mas nada claro, nada muito factível, apenas a esperança de “um dia usar”, igualzinho um cortador de grama que a minha sogra comprou, sem ter grama alguma para cortar.

O que ameaça a continuidade de nossa raça não é o aquecimento global, é esse “modus operandi” moderno de consumo latente e constante. Como uma Colméia, que se organiza para sobreviver, basicamente buscando alimento e segurança para reprodução, nossa organização visa o consumo desenfreado de simplesmente tudo, não só de bens, mas de idéias, conceitos, prestígio, reputação. Todos queremos ser “abelhas-rainhas”, mas isso não cabe em um mundo com recursos finitos.

O que tudo isso tem a ver com este blog? Tudo! A crise demonstra que a mecânica da ganância humana tem limites de operação, o planeta se defende com o aquecimento e devolvendo o mal que lhe fazemos na forma de doenças cada vez mais misteriosas. Diante de tudo isso, o recado é claro: nós temos que “baixar a bola”, devemos continuar buscando nossa evolução contínua, mas cada vez mais conscientes de que tudo tem um limite. Essa consciência começa a se traduzir – de verdade – na atividade de marketing, não estou falando de “marketing sócio-ambiental”, estou falando de um marketing de restrições conscientes, como o acordo recente de diversas indústrias de alimentos para não fazerem publicidade diretamente para as crianças abaixo de 6 anos e fenômenos como o “neofrugalismo“, tendência disseminada pela crise que prega restrições ao consumo e uma venda de “longo prazo” subsidiada pelas empresas. Importante: ambos são exemplos de movimentação da sociedade civil, ou seja, não foram motivados ou conduzidos por governos (que, no caso do Brasil, faz ao contrário, pede para as pessoas continuarem consumindo, tristeza!)

Enfim, como escrevi no início, nossa consciência de consumo ainda reside mais na moda  (ou na necessidade) do que na consciência propriamente dita. Nós, marketeiros, aproveitamos bem a onda “modista”, mas o “homo consumus” está definitivamente no divã, e poderá sair com uma cabeça bem diferente e verdadeiramente consciente, temos que estar preparados e, igualmente, conscientes.

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Meu pai sempre repetia a frase acima, simples, engraçada, mas inteligente.

Um dos piores problemas dos dias de hoje é a procrastinação. Não minta, você procrastina, eu procrastino, nós procrastinamos. É o verbo da moda.

Hoje, 30 de setembro, o mundo acordou com a rejeição do Congresso Americano para o plano de resgate financeiro daquele país (talvez do mundo?!). Ou seja, o governo Bush deixou a “corda estourar” na sua gestão. É evidente, ele e seus assessores (na verdade todo o mercado) sabiam do problema das hipotecas há alguns anos, mas o que fazer se era essa sociedade “saciada” pelo crédito que dava ainda um pouco de “crédito” para o seu governo decadente e belicista? Ele procrastinou, contou com a sorte, esperando deixar isso de presente para o próximo presidente. A vida está sendo dura com ele!

Por aqui, no nosso País, esse fenômeno “procrastineiro” é patente do nossos governos também, e em vários setores. Por exemplo, há poucos dias das eleições municipais, os eleitores tomaram à frente das campanhas de seus candidatos, divulgando as gafes dos concorrentes em redes sociais. Esse acontecimento pode parecer bobo, pontual, mas no fundo esconde o quanto o nosso Estado está inapto para atuar perante mecanismos de comunicação digital; inapto e “parado”.

Esse problema se reflete num tratamento inadequado, pontual e sempre pelo ponto de vista privado (pela parte que se sente ofendida) desses problemas, o que acaba refletindo injustamente em toda a cadeia de comunicação que se forma, naturalmente, em torno de todas as cadeias de valor.

Nesse momento devem estar chovendo ações dos candidatos contra o YouTube – principal streaming utilizado pelos cabos eleitorais 2.0 -, todas pedindo a retirada imediata do portal do ar. O Juíz manda buscar o “escritório” deles no Brasil (será que sabem que é do Google?) e lá vai um oficial de justiça que desconhece o sistema entregar uma liminar que não intima ninguém em especial. Temos vários exemplos disso: Cicarelli que tentou tirar o YouTube do ar (essa se acha!), o Twitter Brasil que foi tirado do ar, pois pensava-se tratar do próprio Twitter, etc.,etc.,etc. Como disse Edney em uma aula sua na Terceira Semana de Comunicação da ESPM: “Eu ouvi uma frase certa vez que mostra o quanto não adianta você tentar negar esse movimento ou tirar do ar uma comunidade como ‘eu odeio x empresa’: Tentar tirar alguma coisa da Internet é como tirar xixi da piscina. Por mais nojento que seja, está ali e você vai ter de conviver com aquilo.”

Exemplos não faltam, o que falta é acabar com essa procrastinação desgraçada, que faz com que nosso Estado não busque estar alinhado com a velocidade com a qual a tecnologia e a sociedade evolui. Não adianta querer regular algo tão complexo quanto a web e as mídias sociais por espasmos, não adianta fazer o mesmo com saúde, educação, transporte e outros assuntos importantes para uma sociedade em desenvolvimento.

Prever fenômenos sociais, econômicos e naturais é algo impossível, e não é futurologia que o Estado e a sociedade devem fazer, agora procastinar quando está claro que tudo mudou, contando mais com a sorte do que com uma discussão séria entre todos os membros de uma sociedade, aí não dá, tem que sofrer mesmo, porque afinal “a vida é dura com quem é mole”!

Como havia prometido, vou avançar mais no assunto “responsabilidade social” na web, especialmente com uso de Social Media (nada mais adequado). 

Eu consegui encontrar uma lista com “12 dicas” sobre como uma instituição do terceiro setor pode utilizar social media. Sei que listas são a moda na web, mas essa vale a pena. O material é da Ph.D especialista em terceiro setor Joanne Fritz e foi divulgado no site

About.com

A seguir eu trago uma síntese (não exatamente uma tradução) da essência do conteúdo dessa “lista”, acrescentando muito da minha visão e experiência:

1. Escolha os “social networks” certos.

Não escolha sites baseados apenas no tamanho da rede de relacionamento. Outras comunidades mais direcionadas para aplicação de práticas e necessidades ligadas ao objetivo da ação social podem ser mais efetivas, ainda que bem menores. O ideal e começar “pequeno”, tendo no máximo 3 redes sociais, e evitar atuar com alguma grande rede esperando um “boom” rápido.

2. Encontre um “expert” para apoiar.

Procure na organização, ou na comunidade, alguém com experiência em social networking. Você deve considerar desde os jovens que compõem o staff até um voluntário. O principal é entender da causa a fundo.

3. Amplie o seu alcançe.

Selecione um “social network” e use-se das ferramentas internas de divulgação; não preencha apenas o perfil esperando que as pessoas venham a encontrar a entidade; crie um grupo, discuta idéias e busque atrair mais apoiadores “conectados”. 

4. Prepare-se para “perder o controle”.

Não há a mínima possibilidade que todos venham a ser “amigos” da causa. Prepare-se para críticas diversas (sobre o modelo de atuação, ética dos membros, funding, etc.). Se a sua instituição e seus advogados não estão preparados para isso, esqueça Social Media.

(mais…)

No post anterior, eu explorei a responsabilidade social e a utilização do marketing social; agora, como é a proposta deste blog, vou começar a explorar o marketing social dentro desse novo ambiente da web 2.0.

O primeiro passo nesse sentido é entender como as comunidades se estruturam na rede, uma vez que a adesão e o funcionamento como “comunidades” é parte essencial de uma ação social. Para esclarecer isso, segue uma apresentação interessante da Forrester Research.

 

Sou fã de SACs / o800/ disk denúncia, enfim, qualquer canal de reclamação/atendimento. Por quê? Porque acredito na comunicação corporativa em 2 vias, e quem coloca telefone e e-mail para entrar em contato é porque quer falar, não? 

Você acha que não? Claro que existem empresas com 0800 “FAKE” cujo atendimento é burocrático (eu chamo de “URA dos mil toques”) e que nunca responde nada de forma assertiva e com bom senso. Mas também existem as empresas que se empenham, apesar de às vezes serem desorganizadas. Em ambos os casos, só há uma coisa que pode garantir o atendimento aos seus direitos: a insistência constante (meio cacófato, mas é isso mesmo).  Vejam alguns casos:

  • Eu reclamei do horário de pgto. de títulos de um grande banco por um ano e meio, depois de alguns meses – quando eu já tinha desistido -, recebo a ligação que o horário foi alterado graças a minha contribuição (e de outros clientes tbém.). Ganhei isenção de tarifas por 6 meses!
  • Reclamei de um acessório esportivo por e-mail (que repliquei num fórum da Orkut), e sou surpreendido com uma entrega com peças de reparo sobressalentes!
  • O banco que eu mais reclamava (outro) me enviou um vale “alfajores” no final do ano, mas não atendeu a minha reclamação, liguei dizendo-lhes que não queria mimos, queria solução. Ainda não solucionaram, mas ganhei outro vale alfajores (agora posso processá-los por tentar me engordar para não conseguir levantar o telefone e discar para o SAC ;-).

Enfim, tenho uma larga coleção de exemplos, uns mais felizes – como os de cima -, mas outros sem desfecho algum, porém, continuo a exercer meus direitos de consumidor e você deve fazer o mesmo. Utilize os fóruns para poder reclamar, acesse a internet e veja quem está passando pela mesma situação, assim você poderá ajudar outros consumidores e eles te ajudarão. Organizados em rede – pelo uso dos SW Sociais -, poderemos forçar as empresas a prestarem um atendimento respeitoso, especialmente aquelas que representam mercados extremamente concentrados (e que por isso a qualidade é nivelada por baixo), como o mercado bancário e o de telefonia. 

Inclusive, falando de telefonia, meu próximo alvo é uma das maiores empresas de telefonia celular (não, não vou dizer que é a TIM), com o seu “web móvel”. Eles me venderam um modem GPRS “banda larga” (só que a banda deve ser anterior aos Beatles) que funciona igual à linha discada (ou um pouco pior). Já liguei uma centena de vezes e ao ser encaminhado para o responsável a ligação cai… Eles não perdem por esperar!

O fenômeno da sociabilidade desorganizada do homem (afinal somos seres sociais como as abelhas, as formigas, os golfinhos, mas infelizmente estamos longe da organização deles) ganha força – e organização -, com a mídia social. Veja essa história: há anos sou um dos marketeiros mais críticos das práticas de comunicação “porcas” das construtoras para venda de imóveis; hoje, com a lei cidade limpa, além de “porcas” a maioria das ações se tornou ilegal e aí fala também o lado cívico. Bom, navegando pelos “posts”amigos vi um extremamente interessante sobre esse problema escrito por Evanndro Reis (web 2.0 expert – não, não estou sendo sarcástico muito menos pejorativo, ele é um dos pioneiros da primeira geração da web no Brasil e antenadíssimo com tudo que ocorre na rede atualmente). Visite esse post http://msoma.wordpress.com/2007/12/22/licoes-de-exercicio-de-cidadania-via-social-media/#comment-102 no blog de outro grande parceiro, Mário Soma, que também soma a sua visão ao assunto.