As novas cadeias de valor

Publicado: 23 de maio de 2008 em branding, Comunicação, Comunicação Social, Marketing, marketing 2.0, Propaganda, Publicidade, SEO, Social Media, Web 2.0

A web será um ambiente controlado por leis estabelecidas por um acordo internacional? Essa foi uma discussão interessante que tive esta semana com Edney, Inagaki e Augusto Pinto, e antes que você fique nervoso, eu respondo por todos: lógico que não. Por quê? Porque isso não é interessante para ninguém, pois o que torna a web uma nova dimensão da realidade é a liberdade, permitindo as pessoas se unirem apenas pelos seus interesses comuns.

O que motivou a nossa conversa foi o fato de que há muitas atividades que estão perdendo espaço, ou literalmente deixando de existir, por causa da web, outras estão se alterando drasticamente, como o mercado de música. Eu tenho abordado esse aspecto em palestras e apresentações para clientes, explicando que a web é um ambiente de “super-nichos”, o acesso pode ser de massa, mas lá dentro “semelhante” vai atrás de “semelhante”. Por essa regra, cada grupo define sua ética e pune aqueles que não a cumprem, como ocorre na prisão, onde não existem leis, mas regras baseadas numa ética muita peculiar.

Nesse processo, enquanto a web cria nichos com regras próprias, vão se formando novas cadeias de valor  – e também cadeias produtivas -, para atender esses nichos, do mesmo jeito que ocorreu no universo de “bricks” na sociedade pré-industrial. Porém, nessas novas cadeias há um tipo específico de agente que está deixando de existir na rede, o intermediário, aquele que fica entre o fornecedor e o cliente final.

Uma claro exemplo disso é a indústria automotiva. Você quer um carro novo, vai à concessionária, vê o carro, acerta a compra e o vendedor faz o pedido na página web da montadora, exatamente a mesma página que você poderia solicitar seu carro. Por quanto tempo continuarão a existir concessionárias, hoje protegidas pelas próprias montadoras (que direcionam a retirada do carro em uma concessionária próxima quando a compra é pela web)? Boa pergunta não?

Outro exemplo dessa desintermediação ocorre com as gravadoras, mas neste caso os “agentes da cadeia” não estão sendo tão complacentes. A última edição da revista Rolling Stone traz na página 21 uma matéria interessante sobre os artistas que estão “dando as costas” para as grandes gravadoras, utilizando o potencial da web para divulgação de seus trabalhos (especialmente o YouTube e o MySpace). Alguns artistas, entre eles pesos-pesados como Madonna, passaram a utilizar outros canais mais rentáveis para vender seus CDs (como a banda Eagles que fechou acordo com o Wal-Mart dos EUA para distribuir os CDs do seu próprio selo com exclusividade), outros estão sendo ainda mais agressivos no uso da rede, entendendo claramente o fato de que em breve ninguém mais comprará um CD, comprará o download a um preço ínfimo, que inviabilizará a pirataria (que por sua vez se tornará injustificável). Um exemplo é a banda Nine Inch Nails, que em março deste ano lançou seu novo álbum Ghosts I-IV com 36 faixas exclusivamente pelo seu site. Cerca de 780 mil pessoas fizeram o download, o que rendeu à banda US$ 1,6 milhão. Precisa dizer mais?

Enfim, regras existirão, mas serão os agentes envolvidos em determinado assunto/ambiente que as definirão; por vezes serão tácitas, implícitas, mas serão imparciais, doa a quem doer.

comentários
  1. Otima analogia com os Bricks. Para continuar nas comparaçoes, acho que a Web ja nasceu “liberal”, sendo assim pulamos o “protecionismo” (seja de idèias, produtos ou capitais). E’ isso mesmo, “o que torna a web uma nova dimensão da realidade é a liberdade”!
    Vou linkar seu post!

  2. […] Junho, 08 de Anita Lucchesi Lendo o post do Jair tavares sobre as novas cadeias de valores nascendo com a Web achei bem interessante a enfase na liberdade, […]

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