Google – Deus ou Zeus?

Publicado: 18 de abril de 2008 em branding, Comunicação, Comunicação Social, Marketing, marketing 2.0, Propaganda, Publicidade, SEO, Social Media, Web 2.0

A discussão sobre pedofilia na web ganhou vulto novamente este mês com as denúncias de comunidades criminosas na Orkut.

Em toda essa história – terrível, pois representa um crime hediondo -, há alguns fatos curiosos sobre a posição de Google, e é nisso que quero me focar.

O “buscador-portal-comunidade-streaming” que tem como objetivo ser “deus” na web – pois tem como missão “armazenar e organizar todo o conhecimento da humanidade” -, assumiu seu lado mais “humano” ao admitir que tem problemas para controlar a proliferação dessas redes criminosas, vindo a público no dia 14.04 com uma série de medidas para que sua fiscalização sobre o conteúdo seja mais eficaz.

Apesar disso, as autoridades brasileiras reclamam que têm muita dificuldade em obterem informações que possam guiá-los até os criminosos, pois – segundo eles -, o Google simplesmente “apaga” as comunidades e perfis que julga prejudiciais, ou simplesmente não colabora com dados.

Ora, o Google assume sua incapacidade, mas ao mesmo tempo age acima das leis de um país soberano, simplesmente aplicando aquilo que julga ser certo. Isso me fez ver que no fundo o Google não é deus, é na verdade Zeus – pai dos deuses gregos e dos homens. Por quê? Quem conhece um pouco de mitologia grega sabe que os deuses gregos (e romanos) tinham exarcebadas características humanas, defeitos de caráter e personalidades extremamente geniosas; ao mesmo tempo, desprezavam tudo o que era humano, julgando-nos não mais do que meros serviçais para suas necessidades. Exatamente o que o Google vem fazendo…

Pior ainda, essa postura plantou em mim – mero mortal temeroso – a dúvida sobre a imparcialidade desse “deus” da web. Curiosamente, tanto no Google.com quanto no Google Blog Search os resultados para a busca combinada de “Google+pedofilia” são incrivelmente positivos (clique nos links a seguir e confira). A primeira matéria – na busca regular – é de 14 de abril de 2008, a segunda é de 27 de abril de 2006 (e igualmente positiva)… Incrível não?! O assunto saiu até na TV e produziu só uma referência este ano! No Blog Search, idem: “Google faz e desfaz contra a pedofilia” (sendo “justo”, o primeiro post indicado – replicação de uma matéria da Info Online -, tem como frase final “O Ministério Público acusa o Google de só colaborar com as autoridades quando pressionado.”, acho que eles não viram).  Porém, digitando  nesse mesmo “blog search” a busca por “autoridades+pedofilia”, achamos uma matéria um pouco diferente no G1 (Globo) do dia 09.04.08 falando sobre as dificuldades dos promotores obterem informações da empresa e etc. Estranho… Essa matéria contém material suficiente – e relevância de fonte -, para ser indicada na busca por “Google+pedofilia”, mas curiosamente não está lá.

Enfim, vivemos um momento de mudanças na comunicação, nos negócios, na forma como nos relacionamos, mas não podemos ficar desatentos às reservas de mercado, não podemos aceitar o controle velado à informação, não podemos aceitar – e nos encantar – com o monopólio de uma empresa “Zeus”, cujas grandes qualidades são contrapostas por defeitos gravíssimos. O Google é, sem dúvida, um notável player da web, mas não está acima do bem e do mal. Eu, particularmente, torço para que logo cheguem mais concorrentes de peso, pois isso trará ainda mais transparência e respeito conosco, “meros mortais”.

 

 

Importante: pesquisa feita em 17.04 às 23h00 (o Google é dinâmico…)

comentários
  1. msoma disse:

    No começo era Deus, virou Zeus…e dependendo de nossos clientes pode virar Zeros, pois acabou virando um buscador de problemas e não de tags

  2. interney disse:

    Nunca tive esses arroubos emocionais por marcas, tenho um grande respeito pelo Google assim como tenho pela Microsoft, é preciso reconhecer o pioneirismo e a ousadia que levaram essas empresas aonde estão.

    Porém o excesso de entusiasmo de alguns definitivamente subiram à cabeça do Google, que confuso com seus muitos produtos pode acabar tendo tantos problemas quanto Zeus teve com seus filhos.

  3. Jair Tavares disse:

    A concentração e a “explosão” são responsáveis tanto pelo funcionamento do universo quanto pelo funcionamento de mercados. Esses movimentos ocorrem de tempos em tempos e a histórica do capitalismo tem inúmeros exemplos (veja o próprio EUA).

    Com certeza os flancos que o Gloogle está abrindo criarão novos mercados potenciais, que atrairão players de nicho. Nesse situação, o Google não terá folêgo para segurar uma guerra tão diversificada.

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